A vida pode ser maravilhosa, dizia Andrés Montes, locutor de futebol na televisão e rádio espanhola.
E de facto quando estamos perante o clássico que mais atenção tem chamado nos últimos anos, e tendo em conta os primeiros 45 minutos alucinantes do jogo de ontem, a vida pode ser de facto maravilhosa.
Mas para os amantes da táctica, os que têm paixão pelo futebol, pela arte do passe, pela espírito de equipa, nada melhor que assistir ao típico tiki-taka do Barça e ao veloz contra-ataque do Real Madrid.
Iremos analisar no futuro as artes mágicas de Camp Nou, mas hoje analiso o jogo do Real. Mourinho tem baseado o seu jogo em Madrid na consistência defensiva que passa por uma defesa e um meio campo duro, privilegiando o aspecto físico em detrimento da qualidade de passe ao primeiro toque como faz o Barcelona. Jogadores como Varane, Carvalho, Arbeloa, Essien, Khedira e Xabi Alonso permitem a Mourinho construir uma parede defensiva dura, de rins dizem uns, mas o suficientemente intimadora e autoritária para provocar nos adversários respeito e uma consciência de que ataques só pela certa. Ao mesmo tempo Mourinho tenta integrar Ozil num trabalho de box-to-box, num estilo diferente de Lampard, mas também num estilo diferente daquele que Modric com o seu centro de gravidade baixo e pouca resistência ao contacto físico aporta à equipa. E a estratégia está montada: jogo verticalizado, com incidência sobre as laterais aproveitando a velocidade super-sónica de Cristiano Ronaldo e a rapidez de Callejon. Com a rapidez de decisão de Benzema está servido o menu que Mourinho tanto trabalha durante a semana.
Esperamos ansiosamente pela segunda mão em Barcelona palco onde o jogo verticalizado de Mourinho se materializa como matriz essencial do seu jogo, e onde a posse de bola do Barça atinge números superiores aos do jogo de ontem (60%).

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